sábado, 4 de setembro de 2010

Refletindo....

É sábado, por aqui muita chuva e aquele clima de saudade no ar. Interessante dias assim, ficamos quase que inertes em nós mesmos, talvez buscando respostas que não existam, ou as perguntas certas não tenham sido formuladas.

Vivemos tempos impares, onde tudo e todos parecem se mover na velocidade da luz, e nós pobres mortais ficamos a mercê de um tempo veloz e feroz. Penso muitas vezes em desistir de auto entender-me e por conseqüência parar de procurar entender o outro, confesso, portanto ser esta uma tarefa desproposital, afinal estamos por aqui neste mundo dito terreno em busca do conhecimento, tanto pessoal, quanto a buscar as respostas para nossas duvidas e crises existenciais.

Sei o quão com complicado é viver e conviver com nosso grupo de iguais, mas também sei que sem isso nada seriamos. O bom é poder constatar que encontramos pelo caminho pessoas com as quais nos identificamos, e juntas trilhamos caminhos de aprendizados,afetos e respeito.

Sou uma pessoa com limitações, não limitações físicas, mas limitações que me fazem às vezes radicalizar nas minhas avaliações para com o outro. Afinal sempre parto do pré suposto que devemos sempre unir o nosso pensar, ao nosso comportar-se, e quando isso não anda de forma harmoniosa, eis que fica a idéia da tal “moral de cuecas”.

Mas creio que estamos todos apenas em busca do tal eldorado chamado felicidade, e em nome desta busca, muitas vezes atropelamos algumas pessoas, usando de indiferenças, ou criando regras e punições que julgamos traduzir nosso caráter e nossa personalidade, sem notar que tais atos mutilam o afeto que o outro nos oferece, eis ai o dito egoísmo humano, recheado de falsos moralismos e ideias tortas do bem viver.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para Refletir ( VII ) !!!

Dois horizonte fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade

Do que não há de voltar;

Outro horizonte, — a esperança

Dos tempos que hão de chegar;

No presente, — sempre escuro, —

Vive a alma ambiciosa

Na ilusão voluptuosa

Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância

Sob as asas maternais,

O vôo das andorinhas,

A onda viva e os rosais.

O gozo do amor, sonhado

Num olhar profundo e ardente,

Tal é na hora presente

O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza

Que no espírito calou,

Desejo de amor sincero

Que o coração não gozou;

Ou um viver calmo e puro

À alma convalescente,

Tal é na hora presente

O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias

Sob o azul do céu, — tais são

Limites no mar da vida:

Saudade ou aspiração;

Ao nosso espírito ardente,

Na avidez do bem sonhado,

Nunca o presente é passado,

Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido

No mar das recordações,

Escuto um eco sentido

Das passadas ilusões.

Que buscas, homem? — Procuro,

Através da imensidade,

Ler a doce realidade

Dois horizontes fecham nossa vida....(Machado de Assis- Dois Horizontes)