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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Fragmentos !!!

Bem, depois de alguns dias ausente, repensando, refletindo, reorganizando a vida, volto.Interessante quando fazemos aniversario, há um balanço por vezes inconsciente em relação ao que sonhamos, projetamos e realizamos.

Freud escreveu muito pertinentemente sobre as pulsões de vida e de morte, onde lutamos contra nossos instintos e muitas vezes perdemos essa guerra. A teoria do prazer para Freud é uma busca constante entre os desejos,sejam eles de autodestruição ou de prazer puro.

Assim, mesmo para os que não invocam Freud em seu cotidiano (como eu), é inegável que somos constituídos por essas duas pulsões. Quem nunca se viu em situações ambivalentes, ou grosso modo, em cima do muro diante dos desafios da vida real?

Mas o bom é, com exceção dos suicidas, lutamos para manter a pulsão de vida sempre pulsando, é a vida é redundante, mas enfim, entre mortos e feridos, eis que aqui estamos, mais maduros, experientes, com cicatrizes que não nos deixa esquecer que viver é por vezes um perigo.

Ah!Mas quem não ousou vez ou outra a desafiar o minotauro, nesse labirinto chamado condição humana. Resumindo, cá estou, com cicatrizes, porém inteira e refeita e por que não feliz de ter sobrevivido às pulsões de morte oriundas de terceiros.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para Refletir ( VII ) !!!

Dois horizonte fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade

Do que não há de voltar;

Outro horizonte, — a esperança

Dos tempos que hão de chegar;

No presente, — sempre escuro, —

Vive a alma ambiciosa

Na ilusão voluptuosa

Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância

Sob as asas maternais,

O vôo das andorinhas,

A onda viva e os rosais.

O gozo do amor, sonhado

Num olhar profundo e ardente,

Tal é na hora presente

O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza

Que no espírito calou,

Desejo de amor sincero

Que o coração não gozou;

Ou um viver calmo e puro

À alma convalescente,

Tal é na hora presente

O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias

Sob o azul do céu, — tais são

Limites no mar da vida:

Saudade ou aspiração;

Ao nosso espírito ardente,

Na avidez do bem sonhado,

Nunca o presente é passado,

Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido

No mar das recordações,

Escuto um eco sentido

Das passadas ilusões.

Que buscas, homem? — Procuro,

Através da imensidade,

Ler a doce realidade

Dois horizontes fecham nossa vida....(Machado de Assis- Dois Horizontes)