quarta-feira, 10 de junho de 2009

Aprendendo a Ser Apenas Gente....

Quarta-feira de novo, para quem leu o meu post de ontem, no final do mesmo escrevi sobre as ambivalencias dos acontecimentos e sentimentos. E por coincidência ou não, o dia foi bastante complicado.
É inevitável quando escolhemos como ofício cuidar de gente, não haver uma dose de envolvimento afetivo, os vínculos afetivos só se estabelecem quando há disponibilidades e sabemos que nenhuma teoria cientifica é mais eficaz que se estar inteiro para reconhecer a dor do outro.
Quando escolhi ser psicóloga, fiz essa escolha por acreditar que vale a pena se investir no semelhante, que oferecer acolhimento é um grande antídoto para muitas tristezas.
Tenho me deparado com situações de estados solitários desumanos, de misérias emocionais e desamparo. Confesso que as vezes peco por ser assim, um recepitaculo das mazelas humanas, mas escolhi e já não posso desistir.
Quando somos mães, pais, irmãos, avós,ou qualquer outro grau de parentesco, seja esse por consanguiniedade ou afinidade, cada historia que nos chega acabamos por nos identificar. Anti ético? pode até ser aos olhos dos conselhos profissionais, mas para o que precisa é um ato de reconhecimento e valorização da sua condição de desamparado.
Estou longe de ser a perfeição de atos, mas tento tirar dos meus erros um mapa para acertar logo mais a frente. Um desabafo de quem todos os dias precisa superar seus próprios conflitos em prol do semelhante.
Uma boa quarta-feira a todos nós.

terça-feira, 9 de junho de 2009

(Ambi)Valentemente Humanos!!!

Passou o fim de semana, sobrevivemos a segunda-feira, por aqui frio daqueles de "renguiar cusco". Cada dia mais complicado deixar a cama as 6h da matina quando o despertador insiste em nos atirar ao mundo real.
Por falar em mundo e real ou realidade, estamos vivenciando dias terminais, aviões que insistem em cair, centenas de vidas perdidas e corpos desaparecidos. Situações que nos fazem ter certezas de que aqui realmente só estamos de passagem.
Somos passageiros de uma nave, desgovernada por nossos atos e comportamentos suicidas. Nosso modo egocêntrico de julgar-nos intocáveis e infinitos, acaba por nos fazer crer em uma onipotencia utópica e desastrosa.
As vezes me questiono enquanto ser pensante, racional e por vezes emocional, não um questionamento vago ou pueril, mas me faço dezenas de perguntas na tentativa de me descobrir.
Com certeza, quase todos nós já tenhamos nos perguntado o porquê nos deixamos servir de moedas de troca, porquê muitas vezes nos deixamos usar como halibe de supostos "querer bem".
Não sem decepcionar-me constato que somos o que deixam que sejamos, procuramos tristemente muitas vezes agradar a terceiros, mesmo que isso seja uma violência contra nossas crenças.
E seguimos a ganhar migalhas afetivas por puro medo de nos sentirmos sozinhos e desprotegidos. Quando noticias de mortes, de violências nos chegam e chocam, paramos perplexos a nos perguntar quem somos nós nessa terra de gigantes.
Vou confessar que ando muito decepcionada com minhas escolhas, atos e comportamentos, e tal constatação me deixa com um sentimento de orfanilidade(orfã), ou como cantava Caetano Veloso: " Sem lenço e sem documento".
Mas ainda é terça-feira, e sem medo de errar digo que ainda viveremos experiências ambivalentes essa semana, que nos fará amarmos-nos e odiarmos-nos com a mesma intensidade.